Medicalização da vida: estamos criando uma indústria para tratar das emoções?

Sugerencias para discutir con los alumnos adolescentes acerca de la idea de Normalidad y la Industria de la Felicidad

¿Es posible garantizar felicidad a través del consumo de psicofármacos?¿Hacia dónde va una sociedad que no puede tolerar la tristeza o el malestar?

(Extraído de Revista Nova Escolahttp://revistaescola.abril.com.br )

Transformamos a tristeza em depressão? Bagunça virou hiperatividade? Os avanços tecnológicos e na pesquisa ajudaram a medicina a evoluir. Mas será que não estamos usando os diagnósticos para tratar as emoções humanas como doenças? Aproveite o assunto para promover um debate com a turma.

Objetivos
- Analisar como diagnosticamos os problemas relacionados às emoções e à adaptação social do indivíduo. 
- Analisar as implicações sociais das práticas médicas e as transformações da medicina ao longo do tempo.

Conteúdos

- Medicina.
- Psicologia.
- Emoções.
- Comportamento.

Tempo estimado
Três aulas.

Material necessário
Cópias das reportagens "Você é normal?" e "No reino da mente americana" publicadas em Veja (Ed. 2244, 23 de novembro de 2011) para todos os alunos. 


Introdução
A medicina experimenta atualmente grandes transformações. Algumas das mais espetaculares dessas ocorrem nos campos da psiquiatria e da neurologia. Nesse setor, a medicina abandona seus métodos e práticas tradicionais para adotar novas posturas e orientações, que geralmente implicam o uso intensivo de drogas - o que relaciona os tratamentos médicos diretamente à indústria farmacêutica global, cujo desenvolvimento recente é gigantesco.

Mais do que diagnosticar as doenças "tradicionais", por assim dizer, a medicina evoluiu para tratar os sintomas causados pelas dificuldades sociais e de adaptação dos indivíduos à sociedade. Os problemas de comportamento ou emocionais passaram a receber tratamento clínico e o uso de drogas vem se tornando cada vez mais comum, já que os medicamentos oferecem a sensação de bem estar e de apaziguamento.

O assunto serve como mote para você discutir com os alunos as implicações sociais da medicina e de suas transformações. Use este plano de aula e as reportagens da revista Veja desta semana, "Você é normal?" e "No reino da mente americana", para fundamentar o debate.

Doenças inventadas: cientistas discutem medicalização

15/11/2011

Com informações da Unicamp

"Nós estamos vivendo um momento na sociedade e no mundo em que a vida está sendo muito medicalizada. Medicalizar é transformar, artificialmente, problemas coletivos, de ordem política, social, cultural e de educação em doenças individuais.

"Hoje, não existe mais tristeza, só depressão. A criança que tem um comportamento que não satisfaz ou incomoda os adultos, é transformada em doente. Quando se busca a comprovação dentro do rigor da ciência médica, isso não existe".

Este alerta foi dado pela médica e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Maria Apparecida Moysés, durante a abertura do Fórum "Educação Medicalizada: dislexia, TDAH e outros supostos transtornos".

Medicalização

A aprendizagem e os modos de ser e agir - campos de grande complexidade e diversidade - têm sido alvos preferenciais da medicalização.

A medicalização controla e submete pessoas, abafando questionamentos e desconfortos, oculta violências físicas e psicológicas, transformando essas pessoas em "portadores de distúrbios de comportamento e de aprendizagem".

"Quando a criança tem uma dificuldade ou modo de comportamento diferente, é muito simples você dizer que é uma doença e dar um remédio.

Essa criança, muitas vezes, está vivendo um conflito nas relações entre pessoas do entorno dela.

Precisamos enxergar isso", disse Apparecida Moysés.

Diagnósticos incorretos

Quase 75% das crianças e dos adolescentes brasileiros que tomam remédios para déficit de atenção não tiveram diagnóstico correto, segundo um estudo realizado por psiquiatras e neurologistas da Unicamp, USP, Instituto Glia de Pesquisa em Neurociências e Albert Einstein College of Medicine (EUA), apresentado no 3º Congresso Mundial de TDAH, ocorrido na Alemanha.

A pesquisa colheu dados de 5.961 jovens, de 4 a 18 anos, em 16 Estados do Brasil e no Distrito Federal.

"Essas crianças não deveriam estar tomando medicação e estão," disse a psicóloga da USP de São Paulo Marilene Proença R. Souza, que promove nesta sexta (11), em São Paulo, juntamente com o Conselho Regional de Psicologia, o II Seminário Internacional: a educação medicalizada - dislexia, TDHA e transtornos.

Medicalização da educação

Carmen Zink, da Coordenadoria Geral da Unicamp (CGU), destacou ser importante a participação de pedagogos, professores e pais na discussão da medicalização da educação.

"Houve um deslocamento de responsabilidade e precisamos ouvir o que a área da saúde tem a dizer", disse Carmen. "As mudanças que aconteceram na história da humanidade foram pelos questionamentos, sonhos e utopias. Ao medicalizar, estamos abortando um futuro diferente, sem criatividade", concluiu Apparecida Moysés.

O assunto tornou-se uma preocupação mundial da classe médica. Preocupados com os diagnósticos ligeiros, médicos europeus emitiram novas regras para uma das medicalizações mais comuns, o transtorno bipolar:

Casa de Brujas en la Infancia

PorSilvia Bleichmar(Psicoanalista y ensayista)www.silviableichmar.com20/9/03

Los chicos viven hoy con crecientes exigencias. Los que no se adaptan a ese ritmo suelen ser tratadas con fármacos. El peligro es partir de un mal diagnóstico y tapar el problema de fondo silenciando los síntomas.

Si se midieran las expectativas que una sociedad tiene acerca de su futuro por el proyecto que sostiene para la generación siguiente, se haría evidente que los niños de esta época, en su mayoría, no son receptores de ninguna esperanza sino sólo de una propuesta de supervivencia que da cuenta del desaliento y la fatiga histórica que empapa a los adultos a cuyo cuidado se encuentran. Que aprendan lo más rápido posible la mayor cantidad de cosas, que hablen lo menos posible, que no irrumpan con ideas descabelladas y que se sometan a un régimen de vida que implica una jornada de 9 horas de trabajo efectivo más la labor extra a ser realizada en la casa parece ser el modelo de vida cotidiana con la cual se desplazan por la ciudad arrastrando mochilas y carritos repletos de libros, cuyas afirmaciones dejarán de ser eficaces en gran medida cuando pasen de la escolaridad primaria a la secundaria, ya que el conjunto de conocimientos técnico-científicos ha acelerado su carácter perecedero y se renueva cada cinco años.

Y por supuesto todo esto es imposible de ser llevado a cabo ante la menor falla del interesado. El taylorismo educativo no admite fracasos; no tolera demoras; ninguna distracción es posible: si un niño es desprolijo o no termina su tarea; si habla demasiado con los demás; si por alguna razón que se desconoce tiene dificultades para vincularse con el resto de sus compañeros; si no presta atención por un período prolongado de tiempo; si se mueve demasiado, ahí está la medicación lista para resolver la “falla genética” de esta unidad que, con sus dificultades, da cuenta de que algo ha venido mal de fábrica; algo que debe ser modificado para lograr un encaje adecuado en este hormiguero en el que no caben zánganos ni espacio para quienes no ocupen su cabeza, constante y eficientemente, en las tareas propuestas.

Pero el pensamiento de un ser humano puede estar habitado por muchas más cosas que las que se aceptan, y su psiquis, más desorganizada de lo que se sospecha. Hemos visto en estos años niños medicados a partir de un diagnóstico poco riguroso que culmino en la afirmación de un supuesto ADD (Attention deficit disorder, o trastorno de la atención como se lo llama vulgarmente), cuya dificultad para concentrarse era efecto de padecimientos importantes de todo tipo, desde cuadros de angustia pasajeros producidos por preocupaciones actuales hasta traumatismos severos, llegando, en el extremo, a cuadros de desorganización psíquica de consecuencias graves para el futuro de su evolución. La medicación, en estos casos lo único que hizo fue disimular el síntoma, calmar los efectos, permitiendo que la perturbación productora del cuadro siguiera larvadamente su camino desencadenando consecuencias de mayor calibre de la adolescencia.